01/04/2011

oxum...

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É incrível o número de pessoas que nos procuram pedindo por orações para serem feitas aos Orixás. Embora a melhor oração seja aquela que fala o que vai em seu coração, sei que para algumas pessoas, principalmente os iniciantes, é importante ter em mãos uma oração preparada exclusivamente para aquele Orixá, com as palavras que ele mesmo gostaria de dizer mas que em alguns momentos simplesmente não sabe como. Para os dirigentes de Terreiros essas orações prontas podem ser muito úteis para entregar aos assistidos que necessitem em dias de gira. Sendo assim, vamos começar hoje uma série de artigos que serão postados regularmente trazendo orações aos Orixás. E nada melhor do que começar pela Orixá que saudamos este mês: nossa Mamãe Oxum!
Oxum é a Mãe da água doce, Rainha das cachoeiras, dona da fertilidade e da vida. É o amor verdadeiro e incondicional, aquele amor puro, real, maduro e solidificado. Essa Orixá está ligada também ao casamento, à união entre pessoas, à prosperidade, ao ventre da mulher, à fecundidade e às crianças. Podemos dizer então que, por consequência, Oxum está intimamente ligada à felicidade. A Ela pedimos que acalente e alimente nosso coração tornando-o  forte e amoroso como suas qualidades Divinas. Assim como a água Oxum está em tudo pois se amamos algo ou alguém é porque Ela está dentro de nós.
Suas cores são amarelo dourado ou cor de rosa, suas pedras ametista ou quartzo rosa e seus pontos de força são as cachoeiras, os rios e as nascentes. É sincretizada com diversas Nossas Senhoras, na Bahia ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres homenageada muitas vezes dia 2 de fevereiro junto com Iemanjá, no Sul do Brasil ocorre o sincretismo com Nossa Senhora da Conceição sendo homenageada no dia 8 de dezembro e no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora com denominação de Nossa Senhora ora com Nossa Senhora Aparecida, homenageada então dia 12 de outubro.

Oração à Oxum:
Saravá Mamãe Oxum. Saravá Protetora dos velhos, das crianças e dos desamparados. Benditas são suas águas que lavam meu ser e que me livram do mal. Oxum, Divina Rainha, bela Orixá, venha a mim caminhando na Lua cheia e estendei o Vosso Manto sobre minha cabeça. Traga Mãe, em suas mãos, os lírios do amor e da paz. Torne-me doce, sedutora e suave como és. Daí-me forças para não cair estenuado pelo cansaço e pelo desânimo. Dai-me forças para que eu não me perca nos caminhos da ingratidão e da descrença. Amparai-me com o Vosso Poder, para que eu não me enverede pelas estradas escuras do pecado, da ambição, do ódio e da maldade. Afastai de meu coração o sentimento de vingança. Dai-me forças para saber perdoar os que me ofendem, os que me insultam, os que me perseguem e os que me humilham. Que o amor seja constante em minha vida. Que eu possa amar a tudo que existe. A Vós Mamãe Oxum, que sois o reflexo divino do Amor, ergo as minhas preces em agradecimento pelas bênçãos que recebo e que irei receber através de Vossa interseção junto ao Pai Oxalá. Nas águas das cachoeiras, nos lagos e nos rios, a Vossa força irradia proteção e luz para os sofredores, os enfermos e os angustiados. Ajoelho-me ante o Vosso manto luminoso e suplico com toda a minha fé que não me abandone nas horas de aflição e amargura. Ajudai-me Mamãe Oxum, protegei-me agora e sempre. Perdoe-me pelas minhas falhas. Perdoai os meus erros e as minhas omissões. Lançai o esplendor da Vossa Luz em meus caminhos para que minha humildade se transforme em força, afim de chegar até Vós. Saravá Mamãe Oxum. Orá iiê Oxum.

Caô Meu Pai Xangô!

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Xangô é o Orixá da Justiça e do Equilíbrio; Senhor do fogo, dos trovões e das pedreiras. Não cede nem à flexão e nem à pressão, é rígido e estável como as rochas, julga de forma severa mas sem precipitação e finalmente estabelece a ordem tranquilizadora. Devemos estar preparados e conscientes ao pedir Justiça à Xangô pois ela será feita, mas não a justiça dos homens e sim a Justiça Divina.
É mais comumente sincretizado com São Jerônimo, que tem dia comemorado em 30 de setembro, ou São João Batista, que comemoramos em 24 de junho. Suas cores são o marrom, o vermelho ou o cinza; seus símbolos são o machado de dois cortes que remete à imparcialidade, a balança que está ligada à justiça e a estrela de seis pontas que representa o equilíbrio; suas pedras são o olho de tigre e a pedra do sol. Na pedreira, com Iansã, Xangô nos traz o arrojo, a determinação, a fortaleza, a segurança, a firmeza e a sustentação. Na cachoeira, com Oxum, Xangô nos purifica, nos energiza, nos dá vida, vigor, saúde e inteligência.

Oração à Xangô:
Meu pai Xangô, o senhor que é rei da justiça, olhai a todos que imploram a vossa proteção e a vossa benção. Que do alto de sua pedreira nos mandeis a faísca de um raio luminoso, a fim de podermos tratar com serenidade e com a mais pura justiça os nossos semelhantes.
Faça valer sempre a vontade Divina, purifique minha alma nas águas de sua cachoeira. Se errei, conceda-me a luz do perdão. Faça de seu peito largo e forte meu escudo para que os olhos de meus inimigos não me encontrem. Permita, Pai, que eles não atinjam meu corpo nem minha alma.
Empresta-me sua força de guerreiro para combater a injustiça e a cobiça. Que eu não faça e nem sofra injustiças.
Clamo, Pai, para que a justiça divina seja feita para todo o sempre. Proteja-me, senhor do fogo e da vida, para que não me falte a coragem, a alegria de viver, a fé e a caridade.
Ó senhor do machado sagrado! Peço que o meu coração seja puro e que tenha a força das rochas que sempre estão sobre o seu domínio. Abençoe-me, grande Orixá, ensina-me a ser bom e justo, instrui-me a amar meus semelhantes tanto quanto Pai Oxalá me ama.
Conceda-me a graça de receber sua luz e sua proteção.
Minha devoção te ofereço!
Caô Xangô, Caô!

Somos médiuns ou Instrumentos de Deus ?

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Palavras de Vô Bento
- Filhos, ouçam todos e me digam o que é preciso para ser um médium.
- Ah, Vô, é preciso ter disciplina, dedicação, estudo ….
- Não filhos, para ser médium não precisa de nada disso, ser médium é fácil, todos que passaram hoje por assistência são médiuns como vocês e para isso nada é exigido. O difícil é ser INSTRUMENTO DE DEUS e é isso que vocês precisam ser, se realmente querem evoluir e fazer o bem.
E agora, o que é preciso para ser um bom Instrumento de Deus?
…silêncio…
- Só precisa ter um CORAÇÃO LEVE, um coração cheio de AMOR pela Espiritualidade e não interesse perante ela. Olhem para dentro de vocês e observem qual é o tipo de amor que vocês têm perante a Espiritualidade. Observem qual é o lado do muro em que vocês estão agora, no lado da troca, onde se espera receber ‘também’, ou  no lado do amor, onde se é capaz somente de ‘dar’.
Saibam que é do lado do amor é que estão os verdadeiros Instrumentos de Deus.
Observem agora, filhos, se vocês estão pulando de um lado para o outro do muro. E o que é pior, observem se vocês não estão em cima do muro prestes a cair ou quem sabe já caíram e não se deram conta, tentando até derrubar seus outros irmãos.
Filhos entendam, é através do amor que tudo acontece, é através do amor que vocês ficam receptivos às forças Espirituais Divinas e só assim conseguem receber tudo de Divino.
Quanto a dedicação, o estudo e a disciplina, quando há amor todas essas necessidades se tornam  naturais e fáceis de serem cumpridas, pois nos dedicamos a tudo que amamos não é verdade?! Então tudo se transforma em “uma grande alegria”.
Através de  Mãe Mônica Caraccio em 09/02/2007

viver não doi...

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Tenho observado bastante o quanto as pessoas se queixam por coisas que gostariam de ter mas não têm, pelo amor que se foi, pela atenção requerida, pelo descanso merecido mas não conseguido, pelo filho que não faz visitas … Enfim, são tantas lamentações que no fundo se baseiam em um único motivo que, infelizmente, é tendência do ser humano, a mania de dar pouco e esperar muito quando a felicidade e fim da lamúria está em se fazer exatamente o contrário: dar muito sem esperar nada em troca.
Tem um poema muito legal de Carlos Drummond de Andrade que fala um pouco sobre isso de uma maneia única. Talvez ele nos ajude a refletir um pouco mais e a começarmos a mudar de atitude.
“Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas  e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pela nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é  desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com   um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
Carlos Drummond de Andrade
Muito Axé e uma semana de muitas reflexões a todos!

quero ser pipoca!

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Na Umbanda a pipoca é usada nas oferendas para os Orixás Obaluayê, usando só as  pipocas brancas, e Omulu, usando também as pipocas queimadas (pretas). Os banhos de pipoca são rituais importantes e poderosíssimos para os médiuns. Em banhos de cura e harmonização as pipocas são feitas sem óleo e sem sal; nos banhos de descarrego o milho é estourado com azeite de dendê (nesse caso o banho deve ser feito sempre em campo aberto);  nos banhos de fixação de força o milho deverá ser estourado na areia da praia.
A pipoca também é elemento vegetal transformador e transmutador, portanto é muito usada nos rituais de cura, além disso os Guias fazem verdadeiras mandingas com apenas um punhado de pipoca nas mãos, favorecendo o corpo astral dos consulentes.
Para falar um pouco mais sobre este elemento tão poderoso da nossa Umbanda quero compartilhar com vocês um texto muito bonito e muito expressivo. Espero que gostem e que consigam absorver todo o significado das palavras e todas as mensagens nas entrelinhas.

É força de pemba, sim sinhô!

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Hoje quero compartilhar com vocês um texto fantástico de W.W. da Matta que já foi publicado no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática -  há algum tempo. Conta uma historia e traz um ensinamento que, como o autor mesmo diz, não têm endereço certo, mas que podem  também ter inúmeros endereços. Espero que gostem e que aproveitem cada detalhe contido aqui.
É força de pemba… é Lei
Se errou… se extraviou…
Ninguém pode dá caminho
Ninguém pode dá malei…
Só quem pode dá malei
É “preto-véio” de seu Conga
Assim mesmo é preciso
Que se endireite e volte cá…
Esse ponto nós o ouvimos (e jamais o esquecemos) de um certo “preto-velho”, num antigo e extinto Terreiro de um amigo e irmão de lei (já falecido) — médium de fato e de direito, numa ocasião memorável. Resumamos o caso em foco, para podermos dizer ou dar positivamente, certos conselhos a certos médiuns…
“Preto-velho” estava firme no “reino” (o aparelho era bom mesmo — incorporava bem). Desde que chegou, foi cantando, tirando sempre esse ponto acima. Os “cambonos” – gente viva de idéia, traquejados, foram logo após algum tempo certificar-se do porquê desse ponto, com “preto-velho”. Ele balançou a cabeça pra lá e pra cá, deu umas fumaçadas com seu “pito” e disse, usando o linguajar de guerra, mais familiar a todos os entendimentos: -Uai gente, suncês nun tão alembrado daquele fio daqui, o Fulano? Eles então logo lembraram desse caso e responderam: -Estamos sim, meu velho…
E “preto-velho” logo retrucou: – Pois bem, zi Fulano vem pur aí, ta case chegando nesse Conga de preto-véio… e acrescentou: – óia fios, arrecebam ele bem, oviro? E pôs-se a repetir esse ponto acima grafado.
* Abramos um parêntese ligeiro, para recordarmos o tal caso de Fulano:
Como tantos outros em outros terreiros, nesse apareceu um filho-de-fé, doente, aflito, cheio de mazelas e confusões, principalmente na parte mediúnica espiritual, porque realmente era médium (dentro de seu grau) e vinha sofrendo mais por falta de apoio e boa orientação. “Preto-velho” cuidou, tratou, reafirmou suas condições mediúnicas, enfim, levantou-o de todo. Depois de muito tempo, já firme, fez o seu batismo de lei, ato que implica um juramento espontâneo, consciente da lealdade à faixa espiritual que o acolheu, zelou e levantou.
Mas, é o caso corriqueiro de centenas e centenas de médiuns ou de irmãos que procedem assim, a certa altura começou a se envaidecer e a ter ambições próprias de chefiar; tornou-se um tanto ou quanto arrogante, olhando os outros com superioridade. Começou a criar casos. A fazer sessões por conta própria em sua casa, na casa dos outros médiuns mais ingênuos, etc. A “ovelha” estava se desgarrando do “aprisco”.

Quantas pessoas vivem em prisões criadas por elas mesmas…

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Tenho refletido sobre a importância da presença, do contato, da convivência e cheguei à conclusão de que muitas vezes vivemos tão dominados pelas nossas necessidades, pelo “nosso eu”  e por tudo que o envolve que esquecemos, não percebemos ou muitas vezes não damos o real valor às pessoas que, de alguma forma, fazem parte dessa nossa existência aqui e agora.
São coisas, momentos, pessoas passando em nossas vidas, e por nossas vidas, e nós, tão limitados, nem percebemos a beleza, o perfume e a cor de tudo e de todos. Nosso olhar e nosso viver estão tão sistemáticos e tão automáticos que perdermos momentos significantes e oportunidades únicas.
Perdemos a oportunidade de ver folhas voando no tempo, cachorros farejantes em busca de novos encontros, flores abrindo-se prontas para serem percebidas. Perdemos significativas oportunidades de ver e sentir o movimento do vento, a presença do amigo protetor, o sorriso depois de um abraço e o olhar carinhoso depois de um gesto amoroso.
Fico pensando nas marcas do choro, no reflexo do sorriso, na esperança do ‘até mais tarde’, no significado de um ‘tchau’, na representação da frase ‘fica com Deus’ ou ‘vai com Deus’. São frases, palavras, expressões, coisas tão comuns que em muitos momentos perdem o valor e o significado se tornando hábitos inexpressíveis.
É triste, mas fico pensando quantas pessoas vivem em enormes, fortes e frias prisões criadas por elas mesmas. Quantas pessoas deixam de viver, deixam de respirar, deixam de amar, deixam de olhar, de sentir e de buscar. Quantas pessoas estão com seus campos de visão tão limitados e individualizados que não conseguem ver “Além”, ver o outro, ver o próximo e ver seu próprio íntimo.
Quantas pessoas percebem tarde demais a falta, e aí só resta  gritar, gritar e gritar por aquilo que já está longe e por aquilo que já não é mais possível, afinal a prisão já se materializou.
É preciso parar, respirar, olhar, sentir e buscar amorosos encontros e encantadores momentos. E isso não está longe, está na riqueza da natureza, na diversidade da feira, no ecumenismo dos torcedores em final de Copa do Mundo, nos olhares que são direcionados a nós, nas palavras cotidianas, nos gestos simples, nos toques sinceros, na presença  fiel e amorosa de um espírito amigo que quer, simplesmente, nos ver felizes, seguros e plenos.
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