17/08/2012

Exu faz o bem e faz o mal? Depende o que você pede para ele?"

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Até quando vamos aceitar que estas perguntas se tornem afirmações:
Exu faz o bem e faz o mal!
Depende o que você pede para ele!

E dizer que não temos nada a ver com isso!!!

Até uma criança sabe o que quer dizer cumplicidade,
ser cúmplice no erro é crime e é burrice,
ser cúmplice no erro é assumir o carma alheio,
ser cúmplice no erro é errar duas vezes...

Exu na Umbanda não é cúmplice do erro alheio,
Médium caído nas trevas da sua própria ignorância é que
passa a ser cúmplice do erro alheio e atrai para si entidades negativas que vão envolve-lo em suas tramas de dor, ódio e vingança com encarnados escravos dos próprios sentidos desvirtuados...

Exu na Umbanda é LEI, é LUZ, é VIDA...

ACEITAR A IDEIA DE QUE EXU É CÚMPLICE,
Aceitar a ideia de que Exu faz o Bem e faz o Mal...
É aceitar que ele seja mesmo o "demônio", "tinhoso",
"coisa ruim", "trevoso"... tudo menos Exu de Lei e
na Umbanda Exu sempre vem na Lei, quando tem
já a liberdade de dar consulta e orientar.

Exu enquanto guia espiritual está sempre na Lei,
Exu enquanto guia quer evoluir e quer também a minha evolução,
Exu enquanto guia é orientador e tem uma consciência maior que a minha.

Exu é Luz em minha vida, e não é apenas Exu; Pombagira também é Lei, Luz e Vida...

Já ouvi falar que falo muito de Exu e Pombagira,
Só não vê quem não quer,
Exu e Pombagira são ponto forte e fraco na Umbanda,
forte se conheço e fraco se desconheço...

Assim como nós, Exu e Pombagira são espelhos de nós mesmos,
se eu conheço minha sombra, se eu conheço minhas trevas, se eu conheço meu ego, se eu conheço meus vicios, se eu conheço minhas paixões e me proponho a trabalhar sentimentos, pensamentos, palavras e atos então este conhecimento me torna forte.

Se eu desconheço ou se coloco para debaixo do tapete minhas dores, medos e traumas então passo a me reprimir, me torno hipócrita, e repreendo no outro o que eu gostaria de vivenciar...

Exu e Pombagira nos ajudam a lidar com estas questões, ajudam a lidar com nosso ego, com nossas dores, com nossas paixões, para vencer nossos desejos desequilibrados e curar nossos sentimentos.

Pena que tantos olham para Exu e Pombagira e só conseguem ver justamente o contrário, querem usar de sua força e poder para vivenciar ainda mais seus desequilibrios... um dia acordarão... o que é inevitável...

Por Alexandre Cumino

 .

09/08/2012

Por que devemos ficar descalços em nossos Terreiros?

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São três motivos principais:

O primeiro é que o solo representa a morada dos nossos antepassados e quando estamos descalços, tocando com os pés no chão, estamos entrando em contato com estes ancestrais e, consequentemente, com todo o conhecimento e a sabedoria que esse passado guarda.



O segundo motivo pelo qual devemos tirar os calçados é o respeito ao solo sagrado do Terreiro. Vir da rua com os sapatos sujos e entrar com eles onde nossos trabalhos espirituais são realizados seria como alguém entrar em nossa casa carregando uma montanha de lixo que vai caindo e se espalhando por todos os cantos. Diante desta situação você diria o quê? No mínimo que essa tal pessoa não tem respeito por você ou pela sua casa.

O terceiro motivo é o fato de que naturalmente nós atuamos como "para-raios" e ao recebermos qualquer energia mais forte, se estivermos descalços sem nenhum material isolante entre nosso corpo e o chão, ela automaticamente se dissipa no solo. É uma forma de garantir a segurança do médium para que não acumule ou leve determinadas energias consigo.

Além de tudo isso pode dizer também que realizar nossos trabalhos espirituais descalços é uma forma de representar a humildade e a simplicidade do Rito Umbandista.

No início, este costume nos cultos de origem africana tinha outro significado. Os pés descalços eram um símbolo da condição de escravo, de não "ser humano", uma vez que o escravo não era considerado um cidadão e estava, por exemplo, na mesma categoria do gado bovino das fazendas. Quando liberto, a primeira coisa que o negro procurava fazer era comprar sapatos, pois era o símbolo de sua liberdade e, de certa forma, faziam com que ele fosse incluso na sociedade formal. O significado da "conquista" dos sapatos era tão profundo que, muitas vezes, eles eram colocados em lugar de destaque na casa para que todos os vissem. No entanto, ao chegar ao Terreiro, espaço que havia sido transformado magisticamente em solo africano, os sapatos tornavam-se novamente apenas um símbolo de valores da sociedade branca e eram deixados do lado de fora. Ali os negros sentiam-se de novo na África e podiam retornar à sua condição de guerreiros, sacerdotes, príncipes, caçadores, etc....

08/08/2012

A ética e o sacerdote

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Quando vemos uma criança apontar um coleguinha como sendo o culpado por uma de suas travessuras, já podemos imaginar como vai ser o futuro dessa pessoa se não houver a interferência dos pais.
Nas diversas áreas podemos sentir as distorções de personalidade,e a falta de caráter,de um indivíduo,que muitas vezes começa lá na infância; quando isso é notado em um sacerdote,me faz lembrar uma conhecida frase Yorubana( En ti ase loore ti ko Du pé buru ju olósa Ti ó kò ní léru ló)aquele a quem concedemos bondades que não expressa gratidão,é pior que o ladrão que rouba nossas coisas.
Quando confiamos em alguém, nossa fé, isso nos torna vulneráveis, abrimos nosso coração e expomos nossas feridas, assim como as mais profundas angústias de nossa alma e, muitas vezes, reconhecemos naquela pessoa um elo de ligação com o sonho e a esperança da realização,e isso nos conduz a conceder bondades a esse suposto confiável,amigo,e orientador.
Quando uma consulta a um sacerdote acontece,nos desnudamos e assumimos nossas falhas,e nossa real condição de impotência para lidar com o desconhecido ou com o inesperado.
Isso coloca,o então, senhor da resposta,como solução as nossas angústias e lhe concede o direito de colocar na solução,custos,mesmo que algumas coisas jamais possam ser pagas, quando de fato acontecem.
A condição de solucionador de problemas do corpo e do espírito,não é verdadeira,na realidade o sacerdote,é somente um elo de ligação,entre a solução e o problema, isso não justifica algumas vaidades exteriorizadas,quando do sucesso do tratamento,até porque a solução partiu do Orisa e não do sacerdote.
Quando analisamos do ponto de vista ético,um orientador,jamais deve afastar uma pessoa de sua religião,e sim fortalecer nela aquilo que naturalmente se desenvolveu: confiança, credibilidade e esperança; jamais tal comportamento deve unir o adepto ao emissário e sim a divindade.
Nada mais justo que por esse caminho não trafegue a ilusão, o dever de quem orienta é ajudar a sonhar e jamais iludir.
Quando buscamos em uma consulta aos Orisas,orientação, evidentemente que os interesses do sacerdote,devem ser omitidos,assim como a opinião pessoal do mesmo.
Tal fato transfere a responsabilidade ao Orisa que orientou,mas em nenhum momento isenta o sacerdote da interpretação.
Acredito de fato que quando alguma coisa deixa de acontecer é um erro de interpretação e nunca um equivoco divino.
Assumir tais erros,é um ato de coragem,e sem dúvida, é uma questão ética, considerando o fato que, além dos interesses envolvidos,houve uma expectativa gerada,nada mais justo que um resultado positivo seja sentido, e a resposta aos questionamentos venha como solução ao problema.

Cozinha do Santo; Onde tudo se aprende

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Muito mais que relacionada com um sistema nutricional, a comida do Santo articula-se e compreende-se a partir de um universo maior, onde a oralidade constitui um dos meios mais expressivos de passar os seus preceitos; a observação um método indispensável para sua manutenção e o comer um dos verbos, que embora muitos conjuguem, reserva-se a poucos, restringindo-se àqueles que conhecendo o “tratamento” entendem o papel e significado desta comida como Axé, força vital e sacrifício indispensável para a conservação da vida.
A comida de Orísá articula-se num universo que estabelece diferenças e “oposições”. As primeiras dizem respeito ao que se come, ao que se pode ou não comer; ou ainda, ao como se come e com quem . As oposições são formuladas, quanto à origem, em comidas secas e comidas de ejé. As comidas secas são também chamadas de comidas frias ou votivas. São todas aquelas não provindas do sacrifício animal, ou as que são à base de grãos, raízes, folhas e frutas. Por sua vez, uma outra oposição relacionada ao quente e ao frio surge tomando como referência o azeite-de-dendê e a pimenta ao lado de outros ingredientes. Outra maneira de formular as “oposições”, diz respeito à passagem mítica da vida de cada Orísá.
Assim, há os que comem com pressa, aos que recebem comidas sem forma, amassadas e aqueles que gostam de comidas mais detalhadas. Isto explica a diversidade de iguarias numa cozinha em que há os que comem cru, mal passado, torrado, frito, cozido e amassado. Dentro desse universo, o azeite-de-dendê ao lado da folha de bananeira cumprem uma função fundamental. Dendê é força, origem. O seu óleo está associado ao esplendor de algumas civilizações ou, ainda, à criação. A bananeira, por sua vez, liga-se ao crescimento e à transformação. Ela é a cama, sobre a qual, tudo que repousa, se deita sobre ela . E tudo que se enrola é envolto nas suas folhas verdes ou secas e amarrado com suas própria fibras. Vale ainda chamarmos a atenção, que, quando se fala da comida de Orísá, associada à uma “cozinha africana”, esta é entendida como um conjunto de técnicas, formas e maneiras de preparar, trazidas pelas diversas etnias africanas, que aqui foram conservadas e reelaboradas, ao lado de outras inventadas. Assim, também, a cozinha dos Orísás. Não se trata de voltar à África, mas fazer com que tal cozinha se torne africana. Africana no sentido de expressar, trazer presente, experiências longínquas de reinos, civilizações, histórias de grupos, somadas a tantas outras. A comida de Orísá é, assim, uma “comida brasileira” em que tantos motivos Afro se fazem presentes. Ao mesmo tempo, é uma “comida africana” onde inúmeras experiências do Novo Mundo foram acrescentadas. A comida de Orísá é um ritual profundamente complexo, elaborado e articulado segundo códigos e princípios, alguns deles de “porque” perdido no tempo. Daí entender-se, mais uma vez, a frase que diz: “ E ainda existe gente que pensa que é só comida….”



Bori, o que é e pra que serve

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Já a algum tempo que venho querendo escrever sobre o Bori e mostrar por “A” mais “B” que Bori não é Camarinha. Ouço muita gente aqui em portugal dizendo que tem Bori quando na verdade tem uma Camarinha de Umbanda. Mesmo porque seria uma covardia comparar um Bori com uma Camarinha.
Abaixo segue o texto de Maria Manuela que explica muito bem o que é o Bori e pra que serve.
Da fusão da palavra Bó, que em Ioruba significa oferenda, com Ori, que quer dizer cabeça, surge o termo Bori, que literalmente traduzido significa “ Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o Bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu Bori é (Iésè órìsà).
Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu Ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido as suas próprias potencialidades. Odú é o caminho pelo qual se chega à plena realização de Orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas dos outros. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande no seu próprio caminho, pois, embora se escolha o Orí antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Exú, por exemplo, mostra-nos a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajectória mais adequada é a tarefa que cabe a cada Orí, por isso, o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por intermédio do Bori que tudo é adquirido.
Os mais antigos souberam que Ajalá é o Orixá funfun responsável pela criação de Orí. Desta forma, ensinaram-nos que Oxalá deve ser sempre evocado na cerimónia de Bori. Iemanjá é a mãe da individualidade, e por essa razão está directamente relacionada com Orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.
A própria cabeça é a síntese dos caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabam, muitas vezes, configurando-se como sinónimos) começam no Orí, que ao mesmo tempo aponta para as quatro direcções.
OJUORI – A TESTA
ICOCO ORI – A NUCA
OPA OTUM – O LADO DIREITO
OPA OSSI – O LADO ESQUERDO
Desta mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, este e oeste; o centro é a referencia, logo, todas as pessoas se devem colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os quatro pontos cardeais: os caminhos a escolher e a seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
Em África, Orí é considerado um Deus, aliás, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, juntamente com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os rituais relacionados com a vida, como o Axexê (asesé). Nota-se a importância destes elementos, sobretudo o Orí, pelos Orikis com que são invocados.
O Bori prepara a cabeça para que o Orixá se possa manifestar plenamente. Entre as oferendas que são feitas ao Orí algumas merecem menção especial.
É o caso da galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém no Candomblé; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orixá. Ela já nasce com Exú, por isso se relaciona com o começo e com o fim, com a vida e a morte, por isso está no Bori e no Axexê.
O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinada, simbolizam a fartura e a riqueza.
O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a Ori; é a boa semente que se planta e se espera que dê bons frutos.
Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranquilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao Orí de cada um eleger as prioridades e, uma vez cultuado como deve ser, proporciona-as aos seus filhos.
Nunca se esqueça: Orixá começa com Orí.
Este excelente texto foi publicado no blog http://ocandomble.wordpress.com pela Maria Manuela, confiram mais textos no blog.
Pra próxima semana trago a entreviste que realizei com Babálorixá Zé Carlos de Oxoguian.
Axé a todos!



A VERDADE QUE A MENTIRA CONTA....

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triste como vivemos mentiras em nossas vidas da forma mais inocente e consciente possível. Seja no trabalho, com a família, com amigos ou na vida amorosa. É lamentável como levamos isso em nosso cotidiano e muitas vezes nem nos damos conta das “mentiras” que vivemos em troca de felicidade momentânea.

Infelizmente quem, hoje, pode dizer que é feliz de forma completa! Nunca nos contentamos com nada. Nos submetemos a situações e criamos dependência por pequenos momentos de felicidade.
Mesmo que seja uma mentira , mesmo que seja surreal. A felicidade vale a pena. Aquela sensação que não conseguimos reproduzir ou descrever.
Judas fraquejou mesmo sendo avisado. A falha está no homem, no desejo de felicidade, na vontade de em algum momento se completar de alguma forma.
Dizem que uma mentira contada varias vezes acaba por se tornar verdade. Então vamos mentir pela felicidade, pelo amor. Vamos mentir pelo bem ao próximo, pelo bem da vida, por um futuro melhor, tentando acreditar que o ser humano pode ser melhor e superior ao egoísmo e a ganancia.
A felicidade se resume a momentos e como vai ser construído o alicerce para este momento podemos sempre escolher. Saiba detectar defeitos, mais acima de tudo, saiba exaltar as qualidades.
Dizer que a mentira supera a verdade é como dizer que a razão supera o coração. Minta só se for pelo bem comum – nunca pelo egoísmo, mas mesmo assim compartilhe a verdade com alguém, porque a sua verdade pode ser uma grande mentira e a mentira uma verdade necessária.
Não quero incentivar a mentira, quero apenas alertar para o dia a dia, para as mentiras inocentes  que acabam com uma boa amizade, com um lindo amor e que separam famílias. Mentiras que deixam um vazio tão grande que o universo não poderia ocupar, uma dor constante sem remédio conhecido. Eternize a felicidade, o ontem é história e o futuro pode nem vir a chegar.

Por MUTAKELENJI 

03/08/2012

Olhe uma vela....

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Olhe uma vela, defina sua luz e perceba que apesar de iluminar, de seu fogo queimar, de transmitir calor, a definição será mil em mil.

Nunca é tarde pra lembrar: a verdade, como a Umbanda, tem muitas faces.

Mas, todas, sempre, luminosas.
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